Resenha – Memórias de Um Sargento de Milícias

Simplesmente me esqueci de dizer que a ordem em que irei ler os livros será a ordem que eu quiser. A medida que os livros forem me chamando e eu tiver oportunidade os lerei. Enumerei-os aqui apenas pra contabilizar melhor os 52, mas também irei marcando os que eu tiver lido 🙂

Como essa é a primeira resenha que faço, peço que me desculpem de antemão. Também já aviso que ela contém spoilers, ou seja, revelações sobre a trama. Creio que isso não será problema por ser um livro bastante conhecido e estudado no colégio e foi escrito há mais de 150 anos.

Esse semana começo com a resenha do livro 33 da lista, Memórias de Um Sargento de Milícias:

Escrito por Manuel Antônio Almeida e publicado entre 1852 e 1853 na forma de folhetins -os capítulos era lançados aos poucos, como vemos nos mangás e graphic novels-,  Memórias de Um Sargento de Milícias é narrado  em terceira pessoa, ao contrário do que nós faz pensar o título, e conta a história de Leonardo, um jovem carioca e vadio em meados do século XIX.

O livro é dividido em duas partes. Na primeira parte Ficamos sabendo como Leornado Pataca e Maria das Hortaliças, pais de Leornado, nosso herói, se conheceram e seu desenvolvimento até a juventude e descobrimento do amor.

Portugueses, a caminho do Brasil em um navio iniciaram um rápido e frutífero namoro, através de um cortejo muito interessante, as pisadelas e beliscões. Poucos meses após a chegada em terras brasileiras, nasce Leonardo e este cresce e se torna uma criança arteira, cheia de vontade de fazer o que não deve, como rasgar os autos do pai.

Na segunda parte um Leonardo já jovem conhece seu primeiro amor, Luisinha. Sendo ele um jovem sem nenhuma perspectiva de futuro, era natural na época que não fosse visto como bom pretendente. Junto com seu padrinho e madrinha, tenta conquistar Luisinha e D. Maria, parenta que lhe tem a guarda.

Destaque para o Major Vidigal que tenta por ordem na bagunça que é uma cidade rica em tipos vadios, com arruaceiros, ciganos, feiticeiros, bêbados e… tocadores de rabeca. Festas, boêmia, cultos religiosos que não o católico e música popular não eram vistos com bons olhos pela polícia. Aparentemente, se divertir após certo horário era exclusivo da elite, com seus bailes, orquestras, óperas, etc.

Memórias de Um Sargento de Milícias tem um viés cômico e seus personagens são ricos em sentimentos antagônicos. Estado, Família e Igreja são ridicularizados por suas contradições, pecados e falhas. A mãe namoradeira e saudosa da terra natal, o pai ausente mas fervorosamente apaixonado, o padrinho e madrinha que lhe ajudam em tudo quanto podem, mesmo que para isso usem de meios nada dignos e, principalmente, um herói que é nada mais é que um anti-herói. 

Para quem tem medo de clássicos por achar a linguagem complicada e chata, este é um livro para perder esse receio. A leitura é leve e rápida e o autor conversa conosco a cada poucos capítulos, nos fazendo sentir bem próximos, como se a história tivesse sendo contada em uma conversa informal. Ainda temos a chance de vislumbrar a vida das camadas médias na cidade do Rio de Janeiro no século 19 com um olhar divertido.

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Resenha por Frida Oliveira

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