Aproveitando a deixa…

Minha época preferida do Ano é o início, por eu amar estabelecer metas e desejos. Uma delas é passar a postar mais no blog e como tenho tido pouco tempo livre para o ócio puro e simples, minhas inspirações para escrever tem sido poucas.

Minha vida mudou muito desde 2010, quando criei este blog pra tentar por minhas emoções em ordem e poder analisá-las depois. Foi minha principal ferramenta para superar crises pessoais e minha ansiedade, que muitas vezes é sem sentido. Meu estilo de escrita também mudou e ainda não consigo lidar bem com ele, o que tem gerado hiatos bem grandes entre uma postagem e outra.

Conheci muitos blogs, principalmente de garotas, que têm me inspirado a falar mais de assuntos cotidianos, como leituras, filmes, etc. Se para mim, tenho sido prazeroso e gratificante conhecer, mesmo que minimamente, outras pessoas através desses pequenos vislumbres do dia-a-dia delas, talvez o contrário também ocorra. Também pretendo responder tags e desafios que eu achar que tem a ver comigo.

Enfim, estas são minhas resoluções para Kirmiz em 2014!

Aproveitando a deixa, começo aqui minha lista com o Melhor do meu Ano Literário de 2013:

Melhor livro infantil: O Mágico de Oz – L. Frank Baum

Um clássico que eu não havia lido até então. Minha mãe, aproveitando promoções que surgiram por conta do filme, comprou uma linda edição de bolso em capa dura com ilustrações originais.

Melhor livro de contos: 12 contos peregrinos – Gabriel Gárcia Márquez

Acho que esse livro me tocou principalmente por eu estar sempre longe de casa, da minha terra natal, do meu passado. Sou uma eterna peregrina.

Melhor livro de poesias: O Esplim de Paris: Pequenos poemas em prosa – Charles Baudelaire

Poemas simbolistas, carregados de significados. Meu preferido foi ‘Embriagai-vos!’

Livro mais lido: O profeta – Gibran Khalil Gibran

Ganhei uma edição antiga e surrada de meu tio há 4 anos atrás e desde então não paro de lê-lo e relê-lo ad infinitum. Para quem nunca tinha lido literatura oriental, foi um choque bem grande. Possui uma linguagem mística e fluída, nada forçada. Sempre que quero me sentir mais leve ou meditar leio alguns trechos.

Melhor livro de não-ficção: 3096 dias –  Natascha Kampusch

A maturidade de Natascha para lidar com seu sequestro, o mais longo da história, é surpreendente. A análise psicológica que faz de si mesma, mostra como ela pode se adaptar a situação e suportar por tantos anos viver enclausurada. Emocionante.

Melhor autor ‘descoberto’ no ano: Neil Gaiman

Novamente, minha mãe foi responsável por esse ‘descobrimento’, pois comprou uma série de livros dele e pude conhecer finalmente sua obra. Li Coisas Frágeis, Deuses Americanos, O Oceano no Fim do Caminho e Os Filhos de Anansi. Os que mais gostei foram Coisas Frágeis e O Oceano no Fim do Caminho.

Enfim, infelizmente 2013 foi um dos que eu menos li. A faculdade tem me tomado muito tempo e quando chego em casa estou tão cansada que só penso em dormir. Espero que ao consertarem o calendário acadêmico eu tenha mais tempo para ler, principalmente nas férias.

Feliz Ano-Novo!

(Quer coisa mais clichê?)

Mais um Ano se iniciou no nosso Calendário Cristão-Ocidental com uma lista de promessas a serem cumpridas ao longo do Ano, e muitos se perguntam sobre o sentido em esperar pelo primeiro dia do ano para corrermos atrás de nossas metas.
Eu vejo a questão por outro ângulo: nosso Calendário é desprovido de ligações com os ciclos naturais da terra, como Solstícios, Equinócios e épocas de colheita e plantio, como muitos outros Calendários antigos. Logo, ter nosso início de ano num dia aleatório do verão (1º de Janeiro) significa, para mim, que o dia para se inciar planos, começar a cumprir promessas é simplesmente qualquer um.
Hoje é uma quarta-feira quente e ensolarada em Minas Gerais, pouco diferente de ontem e ainda assim pode ser o primeiro dia de um ciclo de descobertas que se encerarão após uma volta em torno do Sol.
O Ano-Novo é qualquer dia que quisermos, qualquer dia que escolhermos deixar as promessas e resolvermos ir vivê-las!

Feliz 2014!

Voar e outras mudanças

Preciso tirar esse fardo, tão rígido dos meus ombros. Quero deixar o casulo que contruí e voar, ser livre. Mesmo que eu viva poucas semanas, se eu puder sentir a brisa me erguer da terra, eu serei feliz.
Não me importa que, antes de uma nova Lua Cheia nascer, meus olhos se tornem opacos e que minha cabeça penda sobre meu peito. Ainda que eu sinta meu sangue parar de fluir, eu serei feliz.
Enfim, quando este invólucro que abriga minha alma estiver pesado demais para sonhar, deixá-lo-ei que retorne as raízes da árvore onde nasci. Serão meus então os seus galhos, flores, tronco e frutos.
Darei meu corpo como abrigo aos animais e espíritos da floresta, e o pó de minhas asas alimentará os sonhos de quem também deseja voar.

O céu de Agosto

_”Estou bem. Está tudo bem” – é o que dizia a si mesma, toda manhã, ao lavar seu rosto e se olhar no espelho, na tentativa que a água fria despertasse uma vontade de viver que sabia estar adormecida em si.
São 5:00 da manhã e o céu invernal ainda está escuro. O vento Sul frio entrando pela fresta da janela resfriou seu corpo durante a noite e sensação ao acordar foi de ter saído do mar gelado a pouco. “Preciso consertar isso e a rede de proteção ainda hoje”, pensou consigo.

Quem a visse de fora e olhasse com curiosa atenção pensaria que ela estava a dançar um estranho balé. Cada movimento cotidiano parecia sincronizado com uma melodia inaudível. Vestiu-se, calçou-se e recolhia as ferramentas necessárias.

Sentou-se no parapeito, tentando encaixar as pontas da rede solta no ganchinhos fixados na moldura da janela. O vento amainara e o sol tingia o horizonte de vermelho. Ver todas aquelas estrelas e Vênus no firmamento era de tirar o fôlego. Pensou em todas as mulheres que já se sentaram a janela ao alvorecer e desfrutaram daquela visão. Algo tão antigo e belo, sendo compartilhado todas as manhãs com quem estiver disposto.

Foi nesse momento de êxtase, assim que as aves começaram a voar e cantar estrondosamente, que a música parou. O ar parecia tão denso e cheio de ruídos que distraía a atenção da valsa muda que outrora nos fascinava.

Enfim, com um gesto tão tímido e delicado como o bater de asas de uma borboleta adormecida, ela deixou-se cair. 3 andares nunca pareceram tão distantes do chão, de olhos fechados, pensou ter atravessado o núcleo da terra.  Ao abri-los, poderia contar quantas abelhas voavam perto de uma colmeia e saberia dizer em quais galhos do salgueiro ainda haviam flores e ainda assim não teria passado um único andar.

Derramou-se em todas as direções, regando as flores naquela manhã. Ficou assim por um tempo incontável até dar-se conta que poderia se atrasar.

Subiu para seu quarto deixando atrás de si um rastro de água. Um banho gelado nunca foi tão bem-vindo.

O sono do Rei Vermelho

Percorri as oito casas até  minha coroa alcançar, porém num descuido, como O Ovo Travesso, da Torre caí. Sendo eu sendo menina, de carne, osso e coração de manteiga,  o que será que eu quebrei?

Será que quebrei o espelho por onde entrei nesse tabuleiro, pois o Rei acordou e em seu sonho eu me dissipei? Vossa Majestade me perdoe, mas eu já não sei se ainda existo e peço licença para deste mundo me ausentar.

Disso já fazem 7 vezes sete dias e continuo sonhando com ele. Nos meus delírios oníricos  ele ainda dorme ao meu lado e eu velo por ele.  Dizem ‘o rei sem a rainha vive, mas ela não vive sem o rei’.

Século XXI

Resolveu que guardaria seu coração numa caixa, em um lugar seguro, pra não se ferir. Enterrou debaixo do salgueiro-chorão, na sepultura de sua avó. Quem mais poderia guardá-lo melhor?

Viveu sua vida tão bem quanto pode viver uma pessoa sem coração, sem remorsos ou tristezas, mas a curiosidade a fez querer rever seu precioso tesouro.

A tampa recém movida poderia indicar que algum admirador havia estado ali em busca de seu amor. Sentiu algo parecido com a felicidade ao pensar nisso.

Esqueceu-se que este é o século XXI, onde o amor é escrito com letra miúda no verso do contrato e os violadores de túmulos abundantes.

Em uma só manhã descobriu ter perdido o coração e a própria avó para algum estudante de medicina anônimo estudar Anatomia.

Decidiu ser doadora de órgãos depois do ocorrido.