Sobremesa

Ele costumava alegrar o meu dia. Não importava o quanto o dia estivesse cinza, pois com ele, todo dia era primavera. Sabia me fazer rir, me tirar do sério, me fazer melhor. Eu era parte dos seus sonhos e não me importava que não fosse real, estar com ele era tudo (ainda é).

Por onde quer que eu fosse, o encontrava. Dentro dos meus livros (era o próprio Rei Vermelho), nas música e filmes, nos sinais nas ruas, encontrava seu nome em meio as rachaduras de um velho prédio. E a lua que eu via sentada na janela certamente era a mesma que ele avistava tão perto do mar. Não daria para acreditar que tantas montanhas, vales, rios e quilômetros nos separassem.

Hoje ele não pôde vir me ver e foi tão triste. Até as estrelas andaram sumidas. Às vezes as coisas não dão muito certo conosco.  Mas eu ainda sou sua bonequinha e sei que qualquer brisa espanta essa neblina que nos ronda. Isso é só mais uma dessas alegrias que a gente adia, reservando a melhor parte pra mais tarde, como a sobremesa depois do almoço. Afinal, te ver sempre foi a parte mais gostosa do meu dia.

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