Areia

A noite chegava e com ela um frio desesperador e o vazio. Sua respiração era irregular e a dor irradiava da mão inchada ao ombro, pulsante. As dunas amareladas se escureciam gradativamente e a vida parecia extinta. Um grito de animal ferido (um roedor abatido por uma ave?) refutou essa ideia. ‘Criaturas do deserto’, pensou ela, com um certo desdém, ao mesmo tempo tentando se acalmar, como se essas duas palavras contivessem a resposta a todas as dúvidas do universo. Não havia, num raio de muitos quilometros, nenhum lugar onde pudesse se abrigar com segurança. Mesmo que houvesse, a paisagem indifernciada não ajudaria a se localizar. Nem mesmo as estrelas, outrora tão confiaveis, eram visiveis nessa noite. Sentia uma enorme fraqueza e até olhar para o horizonte parecia uma ardua tarefa. A tempestade se aproximava com um ruído surdo, quase um sussurro de canção de ninar, um tanto quanto hipnótico dizendo que, enfim, tudo ficaria bem. 5 minutos olhando em todas as direções e nehuma porta mágica se abriu, nenhum meteoro caiu do céu, absolutamente nada quebrava aquela monotomia ou adiava o que viria. O vento  forte e a areia tão fina e cortante machucavam seu rosto e a forçavam-na a se curvar. E assim fez, sem qualquer resistência, num balé regido pelos ventos, caiu no solo sobre os joelhos já sob o efeito do veneno. Curvou-se no chão de pedras e areia e pensou em fazer uma prece a Alá, mas viu que não seria necessário. ‘Já estava escrito’, disse para si mesma. E  então a escuridão a envolveu docemente.

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