Animais II

Gatos são uma das três espécies de animais mágicos que subsistem nos nossos dias. As outras duas espécies, obviamente, são as borboletas e os narvais, ou unicórnios-do-mar, nome inteiramente redundante, uma vez que nunca existiram unicórnios terrestres. O segundo foi inspirado no primeiro, juntando-o ao nobre cavalo e só, o que explica nunca terem encontrado ossos de unicórnios terrestres ou seu chifre a servir de amuleto para algum xamã americano ou bruxa do leste europeu. Mas acho que estou me perdendo… onde estava?

Brancas, azuis, amarelas e pretas, em sua totalidade, as mais diferentes espécies de borboletas representam um tronco comum a um ser mágico bastante conhecido: as fadas. Mais antigas na árvore evolutiva e mais resistentes, as borboletas deram origem a diferentes tipos de fadas. Estas se foram devido a falta de fé das pessoas,  as borboletas, que nunca dependeram do credo de alguém, só foram ser perseguidas nos últimos séculos, sendo sumariamente sequestradas por jovens cegos por sua ciência para completar insetários macabros ou mais recentemente, aparecer em redes sociais.

Já me perdi uma vez e com esta são duas. O que estava dizendo? Ah, sim, os gatos e sua natureza mágica.

Gatos são caçadores impiedosos, guardiões de tesouros sem fim, dormem profundamente sobre  suas posses, porém ao menor ruído despertam e abrem seus grandes olhos de pupilas verticais. Seu manto lustroso os protegem do atrito com o ar, tornando seu pouso leve, silencioso e macio. Na Idade Média foram amplamente caçados e seu último suspiro queimou a Europa com a Peste. Vejam só se quem ressoa ao nosso lado na cama nada mais é que um belo dragão?

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Livros de Janeiro e Fevereiro

Devido a greve das universidades federais meu semestre está atrasado, o que resultou num fim de período trabalhado em correria e cansaço que durou até sexta, dia 28/02. Na prática, significou que li sim, mas não sem me sentir culpada por trocar o estudo pelo lazer e que não fiz nenhuma resenha nova. Espero que nas férias, quando terei mais tempo, possa tranformar meus rascunhos em resenhas, principalmente de livros mais desconhecidos.

Sendo assim, cá está uma lista rápida do que li nesses primeiros meses.

 

Janeiro:

Fausto – Goethe

Dom Casmurro – Machado de Assis

A Consciência de Zeno – Ítalo Svevo

Memórias de um Sargento de Milícias – Manuel Antônio de Almeida

Lira dos Vinte Anos – Alvares de Azevedo

Fevereiro:

O Quinze – Rachel de Queiroz

O Livro dos Seres Imaginários – Jorge Luís Borges

Água-Viva – Clarice Lispector

Bônus:

Em Fevereiro não li os quatro livros (para quatro semanas) da minha lista, mas li uns bônus que pessoas queridas me emprestaram:

Onde estivestes de noite – Clarice Lispector

Toda Poesia – Paulo Leminsk

 

Se alguém quiser me acompanhar pelo instagram, posto com frequência fotos dos livros que estou lendo: @frida_isabel

Resenha – A Consciência de Zeno

O livro A Consciência de Zeno foi publicado em 1923, por Italo Svevo.O livro é um relato em primeira pessoa, pelo personagem título, Zeno Cosini, e é  divido em oito partes, cada qual tratando de um aspecto da vida de Zeno.

A principio, ficamos sabendo que o livro é escrito por Zeno a pedido de seu analista, o doutor S., como parte de sua terapia, de modo a descobrir a causa do tabagismo, e publicado por este sem sua permissão. Zeno por sua vez não crê no tratamento pela psicanálise e escreve sem qualquer convicção que isso vá curá-lo de suas intermináveis moléstias, logo, a desconfiança é mútua.

O livro é fortemente influenciado pela psicanálise e, através da exposição do passado de Zeno, somos levados a acompanhar sua evolução e tentar entender como é o personagem que nos escreve. A história se arrasta por página e mais páginas até que tenhamos algo mais que peças soltas do protagonista. Este talvez seja o maior defeito de A Consciência de Zeno, esperar que tenhamos paciência conhecê-lo através de uma narrativa não linear e fragmentada.

Zeno, outrora preterido, torna-se a referência masculina em sua família por suas escolhas inconscientes. Situações contraditórias surgem constantemente, como a manutenção da vida familiar e o desejo sexual que aflora eventualmente, a incapacidade de gerir seus próprios negócios e sua empreitada com seu cunhado que outrora fora seu rival.

Ao decorrer do livro Zeno se transforma, de um hipocondríaco que deseja parar de fumar, passando por um indivíduo cuja consciência o leva a situações cômicas, como seu casamento ou a amizade com seu cunhado e finalmente o sensato triestino do pós-guerra.

Transitando entre o moral e imoral, o público e privado, e o que é socialmente aceitável, em A Consciência de Zeno os homens de bem só se diferem dos demais por sua capacidade de encobrir suas falhas ou de aceitá-las como são.

Resenha – Memórias de Um Sargento de Milícias

Simplesmente me esqueci de dizer que a ordem em que irei ler os livros será a ordem que eu quiser. A medida que os livros forem me chamando e eu tiver oportunidade os lerei. Enumerei-os aqui apenas pra contabilizar melhor os 52, mas também irei marcando os que eu tiver lido 🙂

Como essa é a primeira resenha que faço, peço que me desculpem de antemão. Também já aviso que ela contém spoilers, ou seja, revelações sobre a trama. Creio que isso não será problema por ser um livro bastante conhecido e estudado no colégio e foi escrito há mais de 150 anos.

Esse semana começo com a resenha do livro 33 da lista, Memórias de Um Sargento de Milícias:

Escrito por Manuel Antônio Almeida e publicado entre 1852 e 1853 na forma de folhetins -os capítulos era lançados aos poucos, como vemos nos mangás e graphic novels-,  Memórias de Um Sargento de Milícias é narrado  em terceira pessoa, ao contrário do que nós faz pensar o título, e conta a história de Leonardo, um jovem carioca e vadio em meados do século XIX.

O livro é dividido em duas partes. Na primeira parte Ficamos sabendo como Leornado Pataca e Maria das Hortaliças, pais de Leornado, nosso herói, se conheceram e seu desenvolvimento até a juventude e descobrimento do amor.

Portugueses, a caminho do Brasil em um navio iniciaram um rápido e frutífero namoro, através de um cortejo muito interessante, as pisadelas e beliscões. Poucos meses após a chegada em terras brasileiras, nasce Leonardo e este cresce e se torna uma criança arteira, cheia de vontade de fazer o que não deve, como rasgar os autos do pai.

Na segunda parte um Leonardo já jovem conhece seu primeiro amor, Luisinha. Sendo ele um jovem sem nenhuma perspectiva de futuro, era natural na época que não fosse visto como bom pretendente. Junto com seu padrinho e madrinha, tenta conquistar Luisinha e D. Maria, parenta que lhe tem a guarda.

Destaque para o Major Vidigal que tenta por ordem na bagunça que é uma cidade rica em tipos vadios, com arruaceiros, ciganos, feiticeiros, bêbados e… tocadores de rabeca. Festas, boêmia, cultos religiosos que não o católico e música popular não eram vistos com bons olhos pela polícia. Aparentemente, se divertir após certo horário era exclusivo da elite, com seus bailes, orquestras, óperas, etc.

Memórias de Um Sargento de Milícias tem um viés cômico e seus personagens são ricos em sentimentos antagônicos. Estado, Família e Igreja são ridicularizados por suas contradições, pecados e falhas. A mãe namoradeira e saudosa da terra natal, o pai ausente mas fervorosamente apaixonado, o padrinho e madrinha que lhe ajudam em tudo quanto podem, mesmo que para isso usem de meios nada dignos e, principalmente, um herói que é nada mais é que um anti-herói. 

Para quem tem medo de clássicos por achar a linguagem complicada e chata, este é um livro para perder esse receio. A leitura é leve e rápida e o autor conversa conosco a cada poucos capítulos, nos fazendo sentir bem próximos, como se a história tivesse sendo contada em uma conversa informal. Ainda temos a chance de vislumbrar a vida das camadas médias na cidade do Rio de Janeiro no século 19 com um olhar divertido.

Se interessou pelo livro? Baixe-o no Domínio Público aqui.

Resenha por Frida Oliveira

Lista de leituras

  1. Fausto – Goethe
  2. O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Bronte
  3. Édipo Rei – Sófocles
  4. Frankenstein – Mary Shelley
  5. A Insuportável Leveza do Ser – Milan Kundera
  6. Mulher de Trinta Anos – Honoré de Balzac
  7. Moby Dick – Herman Melvile
  8. Viagens de Gulliver – Jonathan Swift
  9. Os Lusíadas – Luís de Camões
  10. Irmãos Karamazov – Dostoievski
  11. Antologia Poética – Pablo Neruda
  12. O Livro dos Seres Imaginários – Jorge Luís Borges
  13. O Aleph – Jorge Luís Borges
  14. A Guerra do Fim do Mundo – Mario Vargas Llosa
  15. Madame Bovary – Gustave Flaubert
  16. A Consciência de Zeno – Ítalo Svevo (lido)
  17. O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald
  18. O Ateneu – Raul Pompéia
  19. Dom Casmurro – Machado de Assis (lido)
  20. Quincas Borba – Machado de Assis
  21. Memorial de Aires – Machado de Assis
  22. Casa Velha – Machado de Assis
  23. A Mão e a Luva – Machado de Assis
  24. Iaiá Garcia – Machado de Assis
  25. Laços de Família – Clarice Lispector
  26. A Paixão Segundo G.H. – Clarice Lispector
  27. Perto do Coração Selvagem – Clarice Lispector
  28. Água-Viva – Clarice Lispector
  29. Felicidade Clandestina – Clarice Lispector
  30. A Cidade Sitiada – Clarice Lispector
  31. A Rosa do Povo – Carlos Drummond de Andrade
  32. Amar, Verbo Intransitivo – Carlos Drummond de Andrade
  33. Memórias de um Sargento de Milícias – Manuel Antônio de Almeida (lido)
  34. A Moreninha – Joaquim Manuel de Macedo
  35. O Seminarista – Bernardo Guimarães
  36. A Escrava Isaura – Bernardo Guimarães
  37. O Quinze – Rachel de Queiroz
  38. Ana-Terra – Érico Veríssimo
  39. Vidas Secas – Graciliano Ramos
  40. Lira dos Vinte Anos – Alvares de Azevedo (lido)
  41. Noite na Taverna – Alvares de Azevedo
  42. O Guarani – José de Alencar
  43. Poesia – Augusto dos Anjos
  44. O Romanceiro da Inconfidência – Cecília Meireles
  45. Bróqueis – Cruz e Souza
  46. Cemitério dos Elefantes – Dalton Trevisan
  47. O Pagador de Promessas – Dias Gomes
  48. Poema Sujo – Ferreira Gullar
  49. Sagarana – Guimarães Rosa
  50. Baladas – Hilda Hilst
  51. Canaã – Graça Aranha
  52. Morte e Vida Severina – João Cabral de Melo Neto

Um livro por semana

Como havia dito, 2013 foi um dos anos que menos li e desde então pensando em como aumentar o número de livros lidos no ano, sem que isso prejudique meus estudos.  Além disso, a qualidade da minha leitura não foi lá essas coisas. Li principalmente best-sellers e literatura juvenil e sinto que li muito pouco dos clássicos nacionais e mundiais.

Decidi que 1 livro por semana é algo que não vai me atrapalhar e posso ter um ritmo mais lento e ainda assim cumprir meu desafio pessoal. Posteriormente, vi em outros blogs nomes como ‘desafio literário: 52 livros em 52 semanas’ e não darei o mesmo nome por um motivo: a ideia do meu projeto partiu de mim e não me admira que já existam ideias iguais pois é bem simples.

As obras a serem lidas deverão ser clássicos e estarem presentes na biblioteca da minha faculdade, para facilitar o empréstimo. Esse último item me privou de alguns dos títulos que eu havia escolhido e sendo assim os substituí por outros livros, podendo ser do mesmo autor, pois há autores que desconheço de todo a obra, ou não. Privilegiei a literatura nacional e latino-americana a medida do possível, mas a composição da própria biblioteca me restringiu em autores e títulos.

Só de fazer a lista já conheci novos autores e livros e muitos títulos me chamaram a atenção. Estou muito animada com o projeto, mas ainda não sei se farei posts semanais ou mensais com os livros lidos.

Eu gostaria de saber, vocês tem algum desafio literário para 2014?